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| 11 de maio de 2010 O VOO DO EDMUNDO Hoje se completa uma semana do falecimento de Edmundo Castilhos Rodrigues. O artista nascido aqui em 1936, deixa, além de uma belíssima obra, muitos amigos e muita saudade para a cultura da cidade de Bagé. O Ezio Sauco, colega que passou rapidamente peloEstadual, seu jovem amigo e admirador, escreveu esta nota sobre o Edmundo, que alçou seu voo para a eternidade no dia 4 de maio passado. O irmão do também artista Glauco Rodrigues, foi membro fundador do Cultura Sul, e integrante do Núcleo de Pesquisas históricas Tarcísio Taborda. A biografia completa do artista pode ser apreciada no site www.alternet.com.br/alter/edmundo.html "Bagé perdeu na última semana (ou a eternidade recebeu?) um dos seus mais significativos artistas e cidadãos. Edmundo Castilhos Rodrigues voou aos céus para integrar uma estrela, formada pela alma dos homens que viveram, respiraram, e hoje são parte daquilo que melhor compõem a essência da alma bageense. É difícil imaginar Bagé sem Edmundo, sem seus quadros exaltando as raízes pampeanas, sem seus versos universais ultrapassando fronteiras e tornando-se harmoniosos símbolos diante a céus de inquietude. Confesso, e não com receio, que via ele como um velho amigo de longa convivência, como aqueles amigos que se debruçam em uma ponte para observar as águas passarem e os sonhos reacender-se depois de anos de lutas e desilusões. Nosso convívio perdurou menos de um ano, onde aprendi a respeitá-lo e admirá-lo, e soube que nasceu no recentemente longínquo ano de 1936, tendo como irmão mais velho Glauco Rodrigues, e menos de dez anos depois recebe Menção Honrosa no concurso de pintura e desenho realizado pela Prefeitura de Bagé, tendo como mesa julgadora o prefeito Gil de Souza e o escritor Pedro Wayne. Depois disso universalizou-se, realizando inúmeras exposições individuais e coletivas de pintura e desenho no Brasil e exterior. Viajou e recebeu em Estocolmo premiação por sua participação nas forças de Paz da ONU no Egito, em 1659 e 1960, quando pintou diversos painéis em cantinas e barracas dos soldados brasileiros. Conquistou diversas premiações como o Prêmio Chico Buarque de Holanda, no II Salão Esso de Artistas Jovens, no Rio de Janeiro, em 1968. Em 1982, lança seu primeiro livro de poesias, “Repartida Poesia”, editando em seguida o livro “Clovis Assumpção Irmão Maior” (1988), lançado na Feira do Livro de Porto Alegre. Em 1995 cria o Sobrado Galeria de Arte, Bar e Café Concerto, onde organizou diversas Exposições de Pintura, Desenho, Gravura, Escultura, além de lançar vários livros de autores bageenses. Organizou o livro da poetisa Iolanda Abero Sá, com prefácio do professor Eduardo Contreiras. Suas aventuras são tantas, que somente uma minuciosa pesquisa acadêmica poderia descobri-las. Partiu, para em cada esquina desejarmos encontrá-lo, caminhando lentamente pelas ruas de Bagé, no incansável caminho das artes. . Ezio Sauco"
.Nas Ruas de Bagé . Por onde anda o poeta? Pelas Ruas de Bagé? aquelas que sentem à presença dos arbustos amordaçados pela ausência de seu filho desaguado do mundo para cá. . Que ruas são essas? nas quais enxergo minha alma na pedra ríspida. E o fronte do palacete Amedronta fantasmas - rejeitados do novo continente – Contidos nas armas da batalha não muito recente. . Ruas onipotentes onde trafegam artistas, músicos, dançarinos e pensadores, Onde caminham poetas anarquistas Entre filósofos com velhas dores. . Cai uma folha aqui E outra lá. Trazendo lembranças férteis daqueles cafés embriagados, transbordando memórias poéticas diante de Ernesto Wayne. . Ventre frio e aconchegante gera música dispersada pelo dia fechado. Para o sol resguardado passos ao vento Ode a calor, E quando se vê Sara Ramirez no esplendor do dia que passou. . Zombam os clarinetes! começa a noite Cobrindo com o longo manto negro a velha agência bancária, Na escadaria Edmundo Rodrigues embrandecendo a arte Nas ruas de Bagé. . Ézio Sauco 2009 . Enviado pelo colega Ezio Sauco |